História popular de ficção científica para adolescentes

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As Sombras de Netuno

O Futuro Chegou

No ano de 2179, a humanidade já habitava estações espaciais, colônias na Lua e em Marte. O Sistema Solar era uma rede viva de comércio, ciência e culturas misturadas. Entre os adolescentes dessa nova era estava Caio, de 16 anos, estudante da Academia Interplanetária de Jovens Exploradores.

Caio era curioso, impulsivo e sonhava em ser piloto de naves estelares. Ele vivia na Estação Orbital Atlas, que girava ao redor de Marte como um anel brilhante.

— Um dia, vou voar mais longe que todos os comandantes da frota! — dizia Caio para sua amiga inseparável, Luna, que era mais calma, estudiosa e apaixonada por ciência.

O Mistério

Durante uma aula de astronomia, os jovens receberam uma notícia inesperada: sinais estranhos estavam sendo detectados próximos a Netuno, o planeta azul distante. Eram pulsações de energia que não se pareciam com nada natural.

— Pode ser um erro nos sensores, mas também pode ser… outra coisa — disse o professor, tentando não alarmar os alunos.

Mas Caio e Luna trocaram olhares. Eles sabiam que era uma oportunidade única.

Naquela noite, Caio cochichou:

— E se a gente fosse ver com nossos próprios olhos?

— Você enlouqueceu? — respondeu Luna. — Netuno fica a bilhões de quilômetros!

— Temos acesso ao hangar da Academia. E eu já treinei o suficiente no simulador. Podemos fazer isso.

Luna suspirou. Sabia que Caio era teimoso.

— Está bem. Mas se formos, vamos juntos.

A Viagem Proibida

No silêncio da madrugada, os dois amigos entraram escondidos em uma pequena nave de treinamento chamada Ícaro II. Com ajuda de Orion, um robô assistente que Luna havia programado, conseguiram liberar os protocolos de decolagem.

— Destino: Netuno — anunciou Orion com sua voz metálica.

Quando a nave disparou em velocidade de dobra, Caio mal conseguia conter a empolgação.

— Estamos fazendo história, Luna!

Ela apenas respondeu:

— Espero que não acabemos em confusão…

O Planeta Azul

Dias depois, a Ícaro II alcançou a órbita de Netuno. A visão era hipnotizante: um gigante azul girando lentamente, cercado por anéis tênues e luas geladas.

Mas o que chamou a atenção foi algo muito mais estranho. Flutuando acima das nuvens de Netuno havia uma estrutura colossal, parecendo uma pirâmide metálica suspensa no espaço. Ela pulsava com luzes vermelhas, emitindo os mesmos sinais que haviam sido detectados.

— Não é humano… — murmurou Luna, maravilhada e assustada.

— É alienígena! — completou Caio, quase gritando.

O Primeiro Contato

Quando se aproximaram, a nave foi puxada por uma força invisível. Alarmes tocaram, e Orion alertou:

— Campo gravitacional artificial detectado.

A Ícaro II pousou suavemente dentro da pirâmide, em uma plataforma iluminada. Portas se abriram sozinhas, revelando corredores brilhantes.

— Isso é uma nave, não uma estação — concluiu Luna.

Eles caminharam com cautela, até que uma figura apareceu. Não era exatamente um ser vivo, mas uma projeção holográfica: alta, de olhos luminosos e voz profunda.

— Vocês não deveriam estar aqui.

Caio engoliu seco.

— Quem é você?

— Eu sou Arkan, guardião desta nave. Fui criado por uma civilização que vocês chamariam de antiga. Minha missão é proteger o que resta deles.

Luna se adiantou:

— Por que vocês enviaram sinais?

Arkan olhou fixamente para eles.

— Porque o tempo está acabando. Algo está vindo para destruir este sistema.

O Segredo

Arkan revelou que os Construtores, os criadores da nave, haviam lutado contra uma força misteriosa chamada Sombras Cósmicas — entidades que consumiam estrelas e civilizações inteiras. Os Construtores conseguiram aprisionar parte dessas sombras em Netuno, mas o selo estava se enfraquecendo.

— Vocês, humanos, cresceram rápido demais. Se não aprenderem a unir ciência e sabedoria, acabarão como eles — disse Arkan.

Caio ficou maravilhado, mas Luna estava preocupada.

— O que exatamente vai acontecer se o selo se quebrar?

Arkan respondeu com uma única palavra:

— Extinção.

A Escolha

Nesse momento, a nave começou a tremer. Uma rachadura se abriu no coração da pirâmide. Dela emergiu uma nuvem escura, pulsante, que se movia como se fosse viva.

— As Sombras… — disse Arkan. — É cedo demais!

Caio quis correr, mas Luna segurou seu braço.

— Precisamos ajudar!

Arkan explicou que para reforçar o selo era necessário ativar três cristais de energia espalhados pela nave. Mas o processo exigiria coragem e sacrifício.

— Se falharem, não haverá segunda chance — alertou.

A Prova de Coragem

Os corredores da nave se transformaram em labirintos. Criaturas feitas de fumaça surgiam para assustá-los, sussurrando seus maiores medos.

— Você nunca será um piloto de verdade, Caio… — murmuravam as sombras.

— Você vai falhar, Luna, como todos falham…

Mas os dois se apoiaram mutuamente.

— Não acredite neles — disse Luna, firme. — Nós conseguimos.

Com Orion ao lado, resolveram enigmas, atravessaram passagens perigosas e ativaram os cristais um a um. A cada cristal aceso, a nave vibrava com nova energia.

O Sacrifício

No último cristal, porém, Arkan revelou a verdade: alguém precisaria permanecer conectado à matriz para manter o selo funcionando.

— É o único jeito.

Caio, sem pensar, disse:

— Eu fico.

Mas Luna protestou.

— Não! Você não vai se sacrificar!

Arkan observava em silêncio. Então, Orion, o robô, deu um passo à frente.

— Fui criado para proteger vocês. Minha programação é clara. Eu ficarei.

Antes que pudessem impedir, Orion se conectou ao cristal. Sua forma metálica brilhou intensamente até desaparecer em uma explosão de luz.

As Sombras foram sugadas de volta para o selo, que se fechou com força. O silêncio voltou à nave.

A Despedida

Arkan se aproximou dos dois adolescentes.

— Seu amigo fez a escolha mais nobre. O selo está seguro… por agora.

Caio chorava, mas Luna segurou sua mão.

— Orion não se foi de verdade. Ele vive em tudo que salvou.

Arkan completou:

— A humanidade ainda tem chance, se aprender com este sacrifício.

Com isso, a pirâmide liberou a Ícaro II, que retornou para o espaço.

O Retorno

De volta à Estação Atlas, Caio e Luna foram recebidos como heróis — e também como culpados por terem desobedecido às regras. Mas quando contaram o que haviam visto e perdido, até os professores ficaram em silêncio.

O relatório oficial foi registrado: a primeira missão de contato com uma tecnologia alienígena em Netuno.

Caio, olhando para as estrelas da janela, sussurrou:

— Eu prometo que vou ser o piloto que Orion acreditava que eu podia ser.

E Luna completou:

— E eu serei a cientista que vai garantir que sacrifícios como o dele nunca sejam em vão.

O Legado

Meses depois, um memorial foi erguido na Estação Atlas em homenagem a Orion, o robô que se sacrificou para salvar o Sistema Solar.

E Caio e Luna, ainda jovens, sabiam que aquele era apenas o começo de suas aventuras. Porque, nas sombras do espaço, segredos ainda maiores aguardavam.

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