História clássica de ficção científica para iniciantes

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A Cidade Esquecida de Andrômeda

O Início

No ano de 2098, a humanidade havia alcançado um marco que por séculos parecia impossível: construir naves capazes de viajar além da Via Láctea. Graças ao avanço da propulsão de dobra espacial, as distâncias entre as estrelas diminuíram. O espaço deixou de ser um mistério inalcançável para se tornar uma fronteira aberta.

Entre os pioneiros dessa nova era estava a Nave Estelar Argo, comandada pela capitã Helena Duarte, uma exploradora conhecida por sua coragem e disciplina. A missão da Argo era clara: cruzar a galáxia até chegar à nebulosa Andrômeda e investigar sinais de energia que haviam sido detectados por telescópios há décadas.

No entanto, poucos sabiam que essa viagem mudaria para sempre a visão da humanidade sobre si mesma.

A Tripulação

A bordo da Argo havia cientistas, engenheiros e jovens cadetes. Entre eles, dois se destacavam:

  • Lucas, um aprendiz de astrônomo de apenas 18 anos, curioso e cheio de perguntas.

  • Sofia, engenheira de robótica, responsável pelos autômatos que ajudavam em reparos e pesquisas.

Lucas era o típico iniciante em viagens estelares. Tinha medo do espaço, mas ao mesmo tempo sonhava em desvendá-lo. Sofia, por outro lado, já havia participado de missões na órbita da Terra e estava acostumada com a rotina espacial.

— Você ainda vai amar o silêncio das estrelas — dizia ela para Lucas sempre que o via ansioso.

A Jornada

A Argo deixou a Terra em uma manhã clara. Vistas da janela, as nuvens azuis logo ficaram para trás, substituídas pelo negro profundo do espaço. A viagem transcorreu tranquilamente durante os primeiros meses.

Lucas passava horas observando os céus com telescópios portáteis, anotando cada detalhe. Sofia, ao lado de seus robôs assistentes — apelidados de “Micos Mecânicos” pela tripulação — trabalhava em manutenções.

Mas, certa noite, um alerta ecoou pela nave.

— Capitã! — anunciou o navegador. — Detectamos uma emissão de energia incomum à frente. Parece artificial.

Helena franziu a testa.

— Preparem a aproximação. Pode ser o que viemos buscar.

A Cidade nas Estrelas

Ao atravessarem a nebulosa, uma visão deslumbrante surgiu diante deles: uma cidade colossal flutuava no espaço, iluminada por cristais gigantes que emanavam luz azulada. Torres metálicas se erguiam como montanhas, conectadas por pontes suspensas.

Era uma cidade abandonada, mas intacta.

— Incrível… — murmurou Lucas, quase sem respirar. — Parece que foi deixada aqui ontem.

A capitã Helena autorizou a descida em uma das plataformas. O grupo de exploração, incluindo Lucas e Sofia, saiu da nave. O ar era rarefeito, mas respirável.

Os robôs de Sofia analisavam os prédios, transmitindo dados para os computadores da Argo.

— Esta arquitetura não é humana — disse Sofia. — Estamos diante de uma civilização alienígena.

O Enigma

Explorando o centro da cidade, encontraram uma grande sala com paredes cobertas por símbolos luminosos. No centro, havia uma esfera cristalina suspensa no ar.

Quando Lucas se aproximou, a esfera reagiu. Imagens holográficas preencheram o espaço, mostrando seres altos, de pele prateada e olhos brilhantes. Eles pareciam pacíficos, vivendo em harmonia.

Mas, aos poucos, as imagens mudaram: mostravam guerras, destruição e, por fim, a cidade sendo abandonada.

— Eles… eles fugiram — disse Lucas, com a voz trêmula.

Sofia completou:

— Ou foram destruídos por sua própria ambição.

O Conflito

A capitã Helena reuniu a tripulação para decidir o que fazer. Alguns defendiam levar a esfera de volta para a Terra, como prova da descoberta. Outros, incluindo Sofia, alertavam para os riscos.

— Não sabemos como essa tecnologia funciona — disse ela. — Pode ser perigosa.

Lucas, no entanto, acreditava que a esfera continha respostas importantes.

— Talvez possamos aprender com os erros deles. Se ignorarmos isso, podemos repetir o mesmo destino.

A discussão dividiu a equipe.

A Ameaça

Naquela mesma noite, enquanto estudavam os hologramas, a cidade começou a reagir. Torres acenderam-se, portões se abriram e máquinas antigas ganharam vida.

Robôs gigantes, programados para proteger a cidade, surgiram das sombras.

— Intrusos detectados — anunciou uma voz mecânica.

A tripulação correu em direção à nave, mas Lucas ficou para trás, preso no salão da esfera. Um dos robôs avançava sobre ele.

— Não! — gritou Sofia, correndo em sua direção.

No último segundo, Lucas estendeu a mão e tocou a esfera. A sala inteira brilhou, e os robôs pararam.

Imagens inundaram sua mente: os alienígenas, chamados Altheris, haviam criado máquinas tão poderosas que perderam o controle. Sua civilização ruiu não pela guerra externa, mas pela arrogância de confiar tudo às máquinas sem equilíbrio.

A Escolha

Quando Lucas recuperou os sentidos, percebeu que tinha uma decisão a tomar. A esfera podia ser levada à Terra, mas poderia também desencadear o mesmo erro.

Ele se levantou, olhou para a capitã e disse:

— Não podemos levar isso. Devemos aprender daqui mesmo, sem repetir o que eles fizeram.

Helena hesitou, mas concordou.

— Destruiremos a esfera para que ninguém abuse dela. O que levaremos será o conhecimento que vimos.

Sofia sorriu para Lucas.

— Você entendeu a verdadeira lição deles.

O Retorno

A tripulação embarcou de volta na Argo. Ao partirem, viram a cidade se apagando lentamente, como se adormecesse de novo.

Lucas ficou olhando pela janela, refletindo.

— As estrelas nos mostram o futuro, mas também o passado. Cabe a nós escolher qual caminho seguir.

Sofia colocou a mão no ombro dele.

— O importante é que agora sabemos: a ciência deve andar de mãos dadas com a responsabilidade.

A Nova Esperança

Ao regressar para a Terra, a missão da Argo foi celebrada como um marco histórico. Pela primeira vez, havia provas concretas de uma civilização alienígena.

Mas o maior legado não estava nos relatórios ou nas imagens captadas. Estava na lição que os tripulantes aprenderam: o progresso sem sabedoria pode destruir até as maiores civilizações.

Lucas, agora mais confiante, tornou-se símbolo de uma nova geração de exploradores.

— O espaço não é apenas para ser conquistado — disse ele em uma palestra anos depois. — Ele é para ser respeitado, compreendido e compartilhado.

E, olhando para o céu estrelado, sabia que as aventuras estavam apenas começando.

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